Pular para o conteúdo principal

Grupo de Dois lança Curta-Metragem 'Pra Sair de Casa'

Numa Fortaleza fantástica, uma mulher tem sérios problemas ao vestir um pulôver pra sair de casa. Livremente inspirado no conto Ninguém Seja Culpado, do contista argentino Júlio Cortázar, o curta-metragem 'Pra Sair de Casa' surge do interesse do Grupo de Dois em dar visualidade à literatura contista de Cortázar, ao estudo da linguagem cômica da palhaça e à necessidade de falar sobre isolamento e reclusão diante da Emergência Sanitária provocada pelo Covid-19.

As produções teatrais do Grupo de Dois, iniciadas em fevereiro, num primeiro momento no Rio de Janeiro e agora em Fortaleza, buscam investigar desde 2006, formas de transformar literatura em teatro a partir de dispositivos contemporâneos e cruzamento de linguagens. Para esse projeto, foi realizada uma parceria com o cineasta Pedro Henrique para, com a ajuda do cinema, explorar o clima ambiguamente mórbido e cômico do conto de Cortázar, sem perder seu caráter intimista.

Júlia Sarmento é Mestre em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará-UFC. Formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro-UNIRIO nos cursos de Bacharelado em Interpretação e Licenciatura Plena em Artes Cênicas, ao longo de 24 anos de carreira, trabalhou com artistas como Amir Haddad, Moacir Chaves e Fabianna de Mello e Souza, participou de cursos com Stephanie Brodt, Grupo Moitará, Odin Theater, Lume Teatro, João Fiadeiro, Andréia Jabor, Tadashi Endo, Léo Bassi.

Acumula vasta experiência como professora em escolas e centros culturais no Rio de Janeiro. Desde 2006 forma com o ator, professor e diretor Tiago Fortes o Grupo de Dois, que pretende unir filosofia ao teatro, tendo realizado dois espetáculos e uma performance no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Como pesquisadora acadêmica, investigou por sete anos (2002 a 2009) a formação do palhaço para ambientes hospitalares no Programa Enfermaria do Riso; e seis anos no grupo Mulheres de Artaud (2001 a 2006) onde pesquisou a linguagem do Teatro da Crueldade de Antonin Artaud.

Desde 2013 vem desenvolvendo pesquisa sobre o Rasaboxes, treinamento para atores e performers criado nos Estados Unidos e ainda pouco conhecido no Brasil. Ao se mudar para Fortaleza em 2010, integrou a Cia. Vatá como bailarina e dramaturgista sob o comando da coreógrafa Valéria Pinheiro. Atuou como professora de consciência corporal no curso de Belas Artes da Universidade de Fortaleza-Unifor e foi coordenadora de Cultura e Arte, na área de formação, do Cuca Barra-Che Guevara entre 2011 e 2012. Ao longo de todo esse tempo vem realizando tutorias, orientações, direções artísticas, cursos e oficinas de Palhaço, máscaras e Rasaboxes em Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. 

Ninguém seja culpado, conto do escritor argentino Julio Cortázar, é inspiração para a realização de um número de palhaça. Kassandra pretende sair de casa mas faz frio e ela precisa colocar um pulôver. Por ser uma palhaça tropical, Kassandra não tem o hábito de vestir roupas de inverno e por aí começam seus problemas. Através da narrativa bem-humorada e um pouco sinistra de Cortázar, Kassandra vai se perdendo dentro do pulôver até o desespero. Seu corpo vai, aos poucos, se voltando contra ela e num final quase surreal, a palhaça é atacada por sua própria mão.

Ninguém seja culpado é uma reflexão sobre os gestos cotidianos e como eles podem ser reveladores de nossa condição no mundo. Os aspectos mais mundanos de nossas vidas têm o poder de revelar nossas maiores fragilidades e fortalezas. O ato banal de colocar um casaco leva o personagem de Cortázar aos limites da loucura e do paroxismo de seu próprio corpo. O personagem, ao querer sair de casa, acaba enredado em sua incapacidade de lidar com um problema simples. Nada mais cômico. Nada mais próximo de nossas realidades, onde um vírus invisível nos constrange e assusta, onde uma máscara incômoda virou item do vestuário e onde um gesto simples como um aperto de mão ou um abraço representam perigo para a saúde de todos.

Serviço

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Futricas Corais

 

Arquivo Nirez Fortaleza

Arquivo Nirez para 27 de dezembro na História de Fortaleza: 1906 - A Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará tem novo comandante, o capitão de corveta Augusto Heleno Pereira, substituindo o capitão-tenente Joaquim d’Albuquerque Serejo. 1916 - Decretada a falência do Banco do Ceará, requerida pelo The National City Bank of New York. 1918 - A Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS (hoje Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS) tem novo inspetor quando assume o engenheiro José Luís Mendes Diniz, substituindo José Aires de Sousa. Foi em sua administração que a IOCS ganhou um F em sua sigla, passando a denominar-se Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS. 1927 - Entregue ao povo, pela Municipalidade, o trecho da Rua Pedro Borges entre a Rua Governador Sampaio e a Rua Sena Madureira, chamado de Beco dos Pocinhos, com grande bueiro por sobre o Riacho Pajeú, muros e paralelepípedo na rua. Na verdade é a Rua do Pocinho. 1935 - Deixa a Paróquia de Nossa Senhora d...

Futricas Leoninas

Três jogadores do Fortaleza (Herrera, Mancuso e Pochettino) se envolveram numa briga no Réveillon 2026 num condomínio de luxo no Eusébio, na Grande Fortaleza. Deu Polícia no caso. Eis a posição do zagueiro Eros Mancuso. Um pai registrou Boletim de Ocorrência (BO), dizendo, que os jogadores leoninos o morderam no nariz, após ele ir reclamar do alto som que estava impossibilitando o filho dormir. -A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investiga uma ocorrência de lesão corporal dolosa, registrada nesta quinta-feira (1º), na cidade de Eusébio - Área Integrada de Segurança 13 (AIS 13) do estado. O fato foi noticiado por meio de boletim de ocorrência. Diligências e oitivas seguem em andamento. A investigação ficará a cargo da Delegacia de Polícia Civil de Eusébio”.