Tudo em espaços tão diversos quanto a Praia do Titanzinho, a Praia da Saquarema, no Pirambu, a Praça do Ferreira, o Mucuripe, o Poço da Draga, a Unilab em Redenção, a comunidade indígena dos Anacé, em Caucaia, o Instituto Tonny Ítalo, em Itaitinga, e a Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, em Aquiraz.
A Bienal Fora da Bienal é tanto uma forma de levar as atividades do evento a outros públicos, ressaltando o caráter democrático, inclusivo e participativo da Bienal, em sintonia com a política cultural do Ceará, como de colocar em prática o tema do evento, "Cada pessoa um livro; o mundo, a biblioteca", promovendo encontros entre pessoas de diferentes contextos, "acervos vivos" capazes de dialogar, compartilhar experiências, visões de mundo, crescer juntos, a partir de encontros que só a Bienal poderia proporcionar.
"A produção de situações de encontro para a Bienal Fora da Bienal é uma iniciativa inovadora da Bienal Internacional do Livro do Ceará", destaca o escritor Julio Lira, da ONG Mediação de Saberes, responsável pela coordenação e pela curadoria da Bienal Fora da Bienal.
"A Bienal Fora da Bienal realizará ao todo 14 atividades, pensadas estética, afetiva e politicamente. Este ano, juntos com a coordenação geral da Bienal, fomos chegando a uma programação em que outra vez nomes muito importantes da literatura de língua portuguesa terão oportunidade de interagir com nossa gente mais querida", complementa Julio Lira, citando a coordenadora geral, Mileide Flores, e os curadores, Lira Neto, Cleudene Aragão e Kelsen Bravos, além de sugestões do secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos Piúba, e convidando todos a vivenciar ao máximo a Bienal Fora da Bienal.
Programação
A programação da Bienal Fora da Bienal começa na segunda-feira (17), às 10 horas, com o ator, cantor e escritor Gero Camilo, artista cearense renomado em todo o Brasil, visitando a Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, em Aquiraz, para um bate-papo com as pessoas em situação de restrição de liberdade, a partir do mote "Ao som do mar e à luz do céu profundo".
Também na segunda-feira, às 16 horas, na Tribo dos Índios Anacé, em Caucaia, o escritor Valter Hugo Mãe conversa com a comunidade a partir do mote "Na Corrente dos encantados". Neste dia, em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste, serão disponibilizados, pelo programa Percursos Urbanos, dois ônibus saindo do CCBNB Fortaleza (Rua Conde D´Eu, 560, Centro, ao lado da Catedral), com um total de 100 vagas, para pessoas que desejarem assistir ao diálogo entre os índios e o escritor. 60 vagas serão preenchidas com inscrição prévia via Internet, no site do Centro Cultural, e as demais terão inscrição por ordem de chegada na portaria do CCBNB.
Na terça-feira (18), às 10 horas, os escritores Benita Prieto e Tino Freitas vão a Itaitinga, para um bate-papo com as crianças do Instituto Tonny Ítalo. O tema é "Por livros onde as crianças podem morar".
Na quarta-feira (19), a programação da Bienal Fora da Bienal tem a escritora, bailarina e contadora de histórias Kiusam de Oliveira, de Santo André-SP, às 10 horas na Praça do Ferreira, em contato direto com o público do Centro de Fortaleza, e um dia inteiro de atividades em Redenção, no Campus da Universidade da Lusofonia e da Integração Afrobrasileira (Unilab), reunindo consagradas escritoras de países africanos e de outras nações que falam português. É o Encontro Oralidades & Escritas em Língua Portuguesa, que começa às 10 horas, com Rosalina Tavares (Cabo Verde),Geraldo Amâncio (poeta e cantador cearense), Tony Tcheka (Guiné-Bissau), Carlos Subuhana (Moçambique) e Brígida da Silva (Timor Leste). A mediação é de Manoel Casqueiro (Guiné-Bissau).
Às 14 horas acontece o debate sobre "A resistência da palavra nas literaturas africanas de língua portuguesa", com Rita Chaves (Brasil), Ondjaki (Angola) e Sueli Saraiva (Brasil), mediadora.
Às 15 horas tem o encontro do escritor Tony Tcheka com os estudantes guineenses e às 16 horas a escritora moçambicana Pauline Chiziane fala sobre o tema "Mulheres, Literatura e Resistência", com mediação da brasileira Luana Antunes.
Na quinta-feira (20), a programação da Bienal Fora da Bienal continua em Redenção, na Unilab. Às 10 horas acontece a "Oficina Corporeidade Poética: Transcendendo o Corpo partindo da Ancestralidade Africana", com Kiusam de Oliveira, no Pátio Campus Palmares.
Às 10 horas tem a mesa de escritores da Fundação Palmares, sobre a Editora Nandyala (Redenção) e as obras "Água de Barrela", de Eliane Alves dos Santos Cruz (Brasil), "Haussá 1815", de Júlio César Farias de Andrade (Brasil), "Sobre as vitórias que a história não conta", de André Luís Soares (Brasil), "Sina Traçada", de Maria Custódia Wolney de Oliveira (Brasil), "Sessenta e seis elos", de Luiz Eduardo de Carvalho (Brasil), "Adjoké e as palavras que atravessaram o mar", de Patrícia Matos (Brasil). A mediação é da brasileira Sueli Saraiva.
Às 19h30 acontece a conferência "A Construção da Guineidade", com a escritora Moema Augel, doutora em Literaturas Africanas pela UFRJ.
Na sexta-feira (21), às 16 horas, a Bienal Fora da Bienal acontece na praia do Titanzinho, no bairro Vicente Pinzon, com o escritor pernambucano André Neves, autor e ilustrador de livros infantis, propondo um bate-papo a partir do mote"Cadernos de areia em uma Fortaleza escondida", em "Uma conversa à beira-mar".
No sábado (22), serão duas atividades da Bienal Fora da Bienal: na Vila do Mar, no Pirambu, à 16 horas, o escritor Daniel Galera põe os pés na areia e os braços n´água para conversar com os moradores a partir do mote "O coração do mar é o vento" em "Uma roda de conversa no mar". Já às 19 horas, no Cuca Jungurussu, o consagrado Ignácio de Loyola Brandãofala sobre "A literatura como modo de rebeldia urbana".
No domingo (23), às 9 horas, no último dia de Bienal, a programação especial fora do Centro de Eventos do Ceará será uma pedalada literária e artística, do Mucuripe ao Poço da Draga. O tema é "Alegria é a prova dos nove: pedalando com Frida Kahlo" e a convidada especial é Izabel Gurgel, jornalista, ex-diretora do Theatro José de Alencar. O passeio se inicia na área dos barcos no Mucuripe e segue até o Pavilhão Atlântico, no Poço da Draga, Praia de Iracema.
Bienal no Sobrado José Lourenço
A exposição "Biwá", no Sobrado José Lourenço, da artista quilombola Claudia Oliveira, também integra a programação da Bienal Fora da Bienal. A abertura acontece no sábado (15), às 10 horas, no Sobrado (Rua Major Facundo, 154, Centro, e segue aberta ao público, com entrada franca, ao longo de todo o período da Bienal, de segunda a sábado.