domingo, maio 9

Praticamente 100% da população é impactada emocionalmente na Pandemia do Novo Coronavírus


A psicóloga Elisângela Lima (foto), do Hospital São Camilo Fortaleza, avalia que praticamente 100% da população tem sido impactada de alguma forma, ainda que indiretamente, na área emocional, com a pandemia. Mesmo aquelas pessoas que em geral apresentam bom enfrentamento a situações de crise têm sofrido, em menor ou maior grau, com todas as circunstâncias adversas que o período impõe, como luto, desemprego, mudanças na rotina de trabalho, restrições de acesso a lazer, entre outras.
Segundo ela, várias pesquisas têm sido divulgadas, apontando esse sofrimento mental, a exemplo do que foi analisado pela Fiocruz, indicando que sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% de trabalhadores essenciais durante a pandemia, no Brasil e na Espanha.
- Mas não apenas trabalhadores essenciais são impactados. Muitos dos que precisaram migrar para o home office, por exemplo, sofrem com a falta de estrutura adequada, com a dificuldade de organizar o tempo e evitar horas extras desnecessárias, e com a perda do convívio social com os colegas de trabalho. Além disso, os que são pais precisam se equilibrar entre a administração da jornada de trabalho e as aulas remotas dos filhos. São muitas situações estressoras nesse momento”, analisa.
Junto a este contexto, Elisângela diz que é comum a autocobrança, por uma maior produtividade, por aproveitamento dos inúmeros cursos online que são ofertados, tudo isso em meio a um cenário em que o tempo de lazer acaba sendo mal aproveitado, uma vez que as atividades fora de casa são restritas. “Todas estas questões intensificam o humor deprimido e os sintomas de ansiedade”, diz.
O que é importante ser feito?
A psicóloga dá algumas dicas para amenizar o sofrimento emocional neste período. Uma recomendação importante, segundo ela, é estar ciente de que este tempo desafiador pode acabar rapidamente, como também pode se prolongar, e é importante estar preparado para qualquer dos cenários. Confira as recomendações:
- No home office, trabalhar bem a divisão de tempo, tendo horário para descanso, para lazer, etc. Evitar em excesso a autocobrança, de que deveria estar produzindo mais, etc. Entender que, por mais que alguns teóricos até critiquem essa visão, a estratégia é trabalhar com as ferramentas que tem para se permitir estar num “estado de sobrevivência”. “Aos poucos, a seu tempo, importante agregar outros valores, reaprendendo a viver nesse modelo que estamos inseridos, e viver com mais qualidade. Pode ser que seja um estado que dure um pouco mais, por isso é importante desenvolver estratégias para aprender outras formas de se divertir mesmo que esse contexto demore a passar”, recomenda.
- Cuidado com o uso de redes sociais. Em excesso, pode atrapalhar. A irritabilidade das pessoas fica mais elevada com as reuniões virtuais, porque há muito estímulo chegando ao mesmo tempo.
- Fazer terapia, praticar atividade física, cuidar da alimentação e se permitir ter momentos de lazer, para equilibrar o peso da balança em relação a esse contexto estressor.

Assistência humanizada dá mais segurança às mães e bebês na UTI

Os desafios que a Pandemia impõem podem começar no nascimento de um bebê, em especial àqueles que precisam passar pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal nos primeiros dias de vida. 
Novas estratégias passaram a ser adotadas na UTI Neonatal do Hospital São Camilo Fortaleza, como a restrição de visitas, por exemplo. Para garantir que o momento seja o mais tranquilo e seguro possível, a unidade atua com uma equipe de profissionais para auxiliar às mães, oferecendo atendimento de psicologia, serviço social e enfermagem. Diariamente as mães recebem boletim médico, fotos e vídeos do bebê, além de chamada de vídeo feita pelos profissionais.
- Não poder ver o bebê, naturalmente, é uma coisa que abala muito o emocional das mães. Principalmente porque muitas delas sequer tiveram a oportunidade de segurá-lo por terem tido alguma intercorrência e, após o parto, o bebê precisou ir direto para a UTI neonatal. Então é muito difícil, além do não tocar, não poder ver, não poder estar ali pertinho, mas, apesar disso, algumas estratégias são feitas para tentar minimizar esse impacto”, explica a psicóloga Elisângela Lima.
Elisângela conta que inicialmente é feita uma carta afetiva que a equipe médica entrega às mães, explicando, conscientizando a importância de fazer essa restrição nesse momento da pandemia. São colocadas as informações, mas também é realizado um acolhimento. 
- Há um momento de dor que a gente entende que elas estão passando por ter que ficar longe, e a psicologia, sempre que possível, tem feito ligações para atendimento psicológico para as mães. Para as mães que fazem o desmame no lactário, fazemos o atendimento presencial, apesar de elas não poderem entrar na unidade da UTI, mas ainda sim a gente faz o atendimento delas, além daquelas mães que ainda estão na enfermaria”, compartilha.
Joyce Guimarães, Coordenadora Médica da UTI Neonatal, explica que quando o bebê entra na unidade neonatal a mãe fica ciente de que ele não pode receber visitas.
- Todos os dias nós enviamos o boletim médico com uma foto ou com vídeo do bebê, com as informações diárias através de celular. Mandamos o peso, as medicações que estão tomando, pelo menos uma vez ao dia. Muitas vezes fazemos chamadas de vídeo, então, temos registros de agradecimentos, outros de angústias, de querer saber notícias porque a gente sabe que ter essa angústia é natural, independentemente de ser virtual ou não. Só o fato de estar com o bebê internado na UTI, isso já requer uma situação que a gente tem que acolher as mães e a cada paciente a gente tenta adequar”, diz.
- Em datas especiais, como agora se aproxima o dia das mães, a gente costuma fazer homenagens para elas através de mimos. Nós enviamos fotos com mensagens, umas fotos mais estilizadas nesse dia das mães, por exemplo, ou vídeos, então, a cada data especial a gente vai pensando uma estratégia, utilizando a criatividade para tocar o coração das mães minimizando esse momento de dor”, conta Elisângela Lima.




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