A partir da lembrança viva e vivida de infância, na qual Ana Miranda e sua irmã Marlui participavam de dramatizações escolares em ocasião de datas comemorativas, a autora nos traz o grande acontecimento, um dos maiores e mais bombásticos de toda a antropologia cabeça-chata: o nascimento do Ceará! Como nasceu o Ceará?, segundo Ana, “pode ser lido e olhado como palco imaginário, lido como apenas um livro ou um texto de teatro, para ser encenado com crianças de uma escola, comunidade, família...” E pode. E deve mesmo. O texto é narrativo-poético, fragmentado não em capítulos, mas em cenas, imaginada e sugerida a sua representação em jograis. O enredo contempla a nossa história, a partir das belezas e riquezas naturais, de nossos bichos e aves, dos povos primitivos até a chegada dos euro invasores, ambientado no Siará Grande, de céu, terra e mar, “Um sonho que era mais doce/Do que o mel dos palmeirais”. Ana desenvolveu a grande encenação buscando a “democracia de tipos”, na qual ca...