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Copa 2014

OPINIÃO
Sexta-feira, 11 de Julho de 2014
O legado da Copa para o nosso futebol
Demétrio Andrade - Jornalista e Sociólogo
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Parece bobagem falar em legado após a goleada sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha. Não é. Perder, infelizmente, faz parte do show. Perder por 7 a 1 é mais do que isso: é entrar para a história do futebol mundial. Sempre chamou minha atenção a quantidade de tatuagens usadas pelos jogadores do Brasil. Nada contra. Acho que cada um tem direito de desenhar no seu corpo o que bem entende. Porém, a marca da derrota, de goleada, numa semifinal, disputada em casa, estará crivada não na pele, mas na alma de cada jogador e de cada componente desta comissão técnica. Agora e daqui a 500 anos, por gerações e gerações. Nem a morte apagará da memória a maior vergonha em 100 anos de vida da canarinha, testemunhada ao vivo por mais de 3,6 bilhões de pessoas em todo o planeta.
O peso da vergonha, porém, não deve ser usado somente para a execração pública dos atletas. Tem de servir como um ponto de partida para reflexão e urgente mudança nos rumos do futebol brasileiro, dentro e fora do campo. Durante toda Copa, o time do Brasil jogou mal. Compensava a deficiência técnica com entrega, raça e superação. O meio-campo, local onde o Brasil sempre formou talentos, nunca funcionou, a não ser para marcar. A ligação direta da defesa para o ataque, à procura desesperada por Neymar, deu o tom de todas as partidas. Não se via um padrão de jogo, uma jogada ensaiada, uma proposta tática clara. Após a saída de Mano Menezes, apostar em Felipão, que acabara de rebaixar o Palmeiras para a série B, e em Parreira, foi uma estratégia clara da CBF para “calar a boca” da imprensa. Quem iria bater de frente com dois ex-campeões mundiais? Talvez por xenofobia, Guardiola, que tinha acabado de sair do Barcelona, foi descartado. Os treinadores brasileiros pararam no tempo. Não à toa, nenhum conseguiu construir uma carreira sólida no exterior, ao contrário de argentinos, italianos, portugueses, alemães, espanhóis. É fato que a atual safra de jogadores é bem abaixo do padrão normal de qualidade do Brasil. Mas seria possível montar um time competitivo. Felipão, em um ano, aos trancos e barracos, havia conseguido. Mas, quando se viu diante da perda simultânea de dois de seus princiapis pilares – Tiago Silva na defesa e Neymar no ataque –, sem peças de reposição à altura, entrou em desespero. Deu-se então o erro fundamental: ao invés de respeitar sua trajetória conservadora – a mesma que o fez aparecer para o futebol sendo campeão da Copa do Brasil com o Criciúma – e povoar o meio-campo com volantes, jogando como time pequeno, esperando a Alemanha e partindo no contra-ataque, entendeu que Bernard poderia fazer as vezes de Neymar.
A lição dentro de campo é a de que nosso problema é muito menos carência de mão de obra e muito mais a falta de bons arquitetos. Numa Copa como esta, com um nível tão alto, jogar nos pés dos jogadores a responsabilidade de resolver situações-limite contando somente com o talento individual é, no mínimo, irresponsabilidade. Além disso, Neymar não é Romário. Tudo bem que o futebol é o reino do imponderável. Mas aprendemos, da pior forma, que sorte, fé, raça e improviso sempre deverão estar presentes no cardápio, mas como complementos. Nunca como prato principal.

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