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Para Lilia Sales

lilia sales
Foto: André Lima
A Câmara Municipal de Fortaleza realizou sessão solene na última sexta-feira (13) para a outorga da Medalha Boticário Ferreira à professora doutora Lilia Maria de Morais Sales. A comenda teve como proponente o vereador Salmito Filho (Pros), presidente da Casa Legislativa, aprovada pela unanimidade dos parlamentares. O vereador Salmito Filho dirigiu a sessão, tendo a Mesa dos Trabalhos composta por: Denise Carrá, secretária-adjunta do Turismo, no ato representando o governador Camilo Santana; Renato César Pereira Lima, secretário da Regional VI, representando o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio; Fátima Veras, magnífica reitora da Unifor; Alessander Sales, procurador da República; Benedito Augusto da Silva Neto, procurador e diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público; Bruno Carrá, Juiz Federal e diretor do Fórum
Em sua saudação a homenageada e aos presentes, o presidente Salmito Filho afirmou que a comenda Boticário Ferreira, é a maior da Câmara Municipal de Fortaleza. Ele destacou a trajetória da personalidade que dá nome a comenda, “foi homem público e o primeiro prefeito da cidade. Ele traçou um grande planejamento para Fortaleza, reconhecido até hoje. Nesta noite, a Câmara homenageia uma mulher, mãe, filha, profissional, pesquisadora com um currículo vasto. Ela me faz lembrar de dois elementos fundamentais para o ser humano, que constituem a sociabilidade: o sistêmico, o que é calculado, auferido, quantificado e o outro elemento, o simbólico”.
“O sistêmico, é a ciência e o simbólico, o não racionalizado, a moral, a ética, os princípios, o amor. Jürgen Habermas da Escola de Frankfurt cita esses dois elementos. Uma sociedade só é saudável quando eles estão equilibrados. Esses elementos estão representados na vida da homenageada de hoje. Me permita aqui dizer que a sua trajetória traz uma boa conjugação desses dois elementos. Parabéns! A cidade de Fortaleza agradece seu trabalho. Neste momento, agradeço inclusive a pessoa que permitiu que essa homenagem fosse feita, o secretário Renato Lima, que me apresentou o trabalho da homenageada!”, afirmou o presidente
Após receber a Medalha das mãos do presidente Salmito Filho, a professora doutora, Lilia Maria de Morais Sales fez seus agradecimentos. Ela disse estar honrada em receber a medalha. Agradeceu ao secretário Renato Lima e aos alunos pela dedicação e indicação de seu nome para receber a comenda. Ao presidente da Câmara, Salmito Filho, por acreditar no trabalho contínuo e por reconhecer simbolicamente seu trabalho a partir dessa “importante e significativa comenda”.
“Alguns perguntam se eu ainda estudo mediação e eu digo que tenho muito a aprender. As pessoas depois de muita raiva e desespero, após a mediação, passam a apresentar o melhor de cada uma. O efeito vem da mediação. Por isso que sempre acreditei que ela tinha algo a mais do que somente resolver os conflitos. Ela vive da esperança. Assim a vida foi apresentando desafios e eu claro fui abraçando. Tenho uma tendência a abraçar os desafios”, frisou.
Segundo Lilia Sales, sua trajetória teve início no Pirambu, quando aceitou o convite para ensinar mediação naquele bairro que era considerado o mais perigoso da cidade e depois viu que foi o melhor presente que ela recebeu. Disse que depois na Unifor encontrou a consolidação do trabalho. “Criamos a Núcleo de Mediação de praticas jurídicas, montamos a especialização, mestrado de mediação de conflitos e tantas outras atividades. Uma corrente forte de pessoas foram sendo formadas todas com ideias fortes. Sem elas, essa conquista nãos seria possível. Alunos, ex-alunos, professores, funcionários”, pontuou.
Citou o ‘Projeto Mulheres da Paz’. “Pensem 200 mulheres em coro pedindo uma vida melhor. Ajudamos a desenvolver formas de mediação. Com elas, aprendi tanto. A palavra empoderamento começou a ter sentido pra mim. Elas passaram a estudar, sonhar, e o curso universitário se tornou realidade”, asseverou..
Falou ainda sobre o projeto Flores do Bom Jardim, que trata da mediação e empreendedorismo. “Nosso lema é sermos firmes e fortes”. Destacou ainda o trabalho levado para a delegacia, afirmando que a ideia surgiu do ex-secretário de Segurança do Estado, Roberto Monteiro. “O desafio foi o primeiro serviço de mediação. Tornou comum a prática no 30º DP, de os casos de conflitos serem mandados para as ‘meninas da mediação’. Veio então o Ronda Cultural, onde policiais escrevem rap e interagem com os jovens. O meu papel no projeto foi fazer acontecer.”, destacou
Quanto ao projeto ‘mediação escolar’, disse que a idéia é que os jovens aprendessem a mediação e empreendedorismo. “Começamos com 20 jovens e por lá já passaram mais de 200. Temos professores voluntários. Meu coração esquenta ao falar desse projeto. Tem sido muito trabalho, tantas conquistas. Quando fecho os olhos e penso no projeto, vejo tantos vitoriosos, que hoje têm uma vida bem diferente. Acredito em vocês”. Ressaltou ainda seu trabalho nas universidades de Havard e Colúmbia. “Fazer mediação em inglês, longe de casa, mas conseguimos vencer”.
No final, disse que agora é a vez da mediação do Judiciário, que para ela é um marco histórico. Lilia fez os agradecimentos, às pessoas que, segundo ela, auxiliaram na sua caminhada. “Agradeço o apoio da professora Fátima Veras, as reuniões com o Dr. Airton e com o professor José Renato. A partir dai, uma equipe se juntou em torno desse propósito. Professores e funcionários aceitaram o desafio. Reuniões semanais e conversas diárias. Dissemos sim, e nossa festa está bombando, com o curso de mediação realizando um sonho de muitos”. Agradeceu também a seus pais, filhos e irmãos e concluiu frisando que sua família é seu porto seguro.
Biografia
Pós-doutora pela Universidade de Colúmbia (Nova Iorque), doutora em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, mestre e graduada em Direito pela Universidade Federal do Ceará. Possui formação em mediação de conflitos na Universidade de Harvard, junto ao Program on Negotiation (EUA).
Atualmente é professora titular da Universidade de Fortaleza do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Direito Constitucional, Vice-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade de Fortaleza, Diretora-presidente do Instituto de Mediação e Arbitragem do Ceará (Mediação Brasil), Membro/Consular do Conselho do Global Center dos EUA e Membro do Conselho Superior da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP).
Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Mediação de Conflitos, atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, direitos fundamentais e Mediação e Negociação de Conflitos.
Propôs cinco mestrados. É professora de mestrado e doutorado desde 2004; professora de mediação de conflitos; orientou mais de 300 trabalhos científicos; é bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento da Pesquisa (CNPq), Funcap, Conselho Nacional de Justiça e Banco Mundial. Premiada várias vezes por seus trabalhos em pesquisa. Possui 98 trabalhos publicados, entre livros e artigos e mais de 150 trabalhos publicados em congressos científicos.
Autora e co-autora de vários livros dentre os quais Justiça e Mediação de Conflitos (2004); Mediare um guia prático para mediadores (2010); Mediação de Conflitos Família, Escola e Comunidade (2007); Mediação Familiar um estudo histórico-social das relações de conflitos nas famílias contemporâneas (2006); Coordenadora dos Projetos de pesquisa “Mulheres da Paz”, “Flores do Bom Jardim”, “Mediação Escolar” e “Mediação Policial”, “Multidoor Courthouse System”, “Tribunal de Múltiplas Portas”.
Organizadora de várias coletâneas, dentre elas “Aspectos Atuais sobre a Mediação e outros Métodos Extra e Judiciais de Resolução de Conflitos” (2011), “Estudos sobre Mediação e Arbitragem”, “Estudos sobre a Efetivação do Direito na Atualidade a cidadania em debate” (volumes de l a 5) e autora de vários artigos científicos em revistas qualificadas (CAPES) e artigos de divulgação científica.
Projeto Flores do Bom Jardim
O Projeto Flores do Bom Jardim originou-se do Projeto Mulheres da Paz, no qual a Professora Lilia Sales, idealizadora e líder, junto com sua equipe, capacitaram 300 mulheres do bairro Bom Jardim (o mais violento de Fortaleza/CE) em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos para que elas pudessem atuar junto aos adolescentes em situação de risco. Além de cursos para capacitação e inserção no mercado de trabalho, como corte e costura e técnicas em beleza, por exemplo.
A professora Lilia percebeu que os conhecimentos em Mediação de Conflitos exercia papel importante no processo de empoderamento destas mulheres, sobretudo considerando que 75% delas sofreram ou conhecem e convivem com alguém que já sofreu alguma forma de abuso sexual ou violência doméstica, sendo que uma parcela considerável destas passou por esse tipo de violência com idade inferior a 14 anos.
Em relatos, as mulheres contam as mudanças que o Flores do Bom Jardim operou na vida delas, na perspectiva do empoderamento, tornando-as autônomas e responsáveis pela própria vida. Essas mulheres se inseriram no mercado de trabalho e, principalmente, tornaram-se autônomas, donas da própria vida, deixaram, muitas vezes, de sofrer violência e influenciaram outras mulheres e jovens a se empoderarem também, multiplicando uma postura pautada na resolução de conflitos e na cultura de paz.
Projeto Mediação Escolar
O Projeto Mediação Escolar, idealizado e liderado pela Professora Lilia Sales, apoiado pela Universidade de Fortaleza e CNPq, trabalha com jovens alunos do Ensino Médio de escolas públicas de Fortaleza, com o objetivo de inseri-los na universidade como líderes, multiplicadores da cultura de paz.
O Projeto funciona desde 2010 e age nos eixos Mediação e Liderança, Português, Inglês, Artes e Ação, com aulas e ações para empoderar os alunos de maneira a formá-los como líderes em suas comunidades. Aproximadamente 100 alunos já passaram pelo Projeto e muitos deles ingressaram na Universidade e já até se graduaram. Além disso, vários alunos já receberam premiações diversas tais como prêmios de fotografia, em encontros científicos e alguns prémios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, como o Jovens Embaixadores e English Immersion Program.
Os alunos relatam a experiência que vi vendaram no Projeto e contrastam sua postura frente à vida antes e depois de seu ingresso no Mediação Escolar, onde aprenderam a lidar com sua realidade, muitas vezes, hostil e transformá-la por meio do conhecimento em Mediação de Conflitos


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